quarta-feira, 4 de março de 2015

OFICIO DO HISTORIADOR

SEGUNDO MARC BLOCH O OFÍCIO DO HISTORIADOR É LEMBRAR O QUE A MAIORIA ESQUECE.
É justamente por essa razão que o blog REVIVENDO A HISTÓRIA surgiu, como forma de buscar a preservação e resgate da nossa história.
A todo momento somos formadores de História, algumas dela contribui para o  processo civilizatório da sociedade de determinado tempo, moldando as diferentes formas de perceber, compreender e analisar a história, porque a história é um ciclo, e tem que continuar a ser contada sobre novos e diferentes olhares é esta forma de ver a história que a torna interessante.
São os historiadores de oficio, ou professores historiadores os responsáveis não só pela construção de um passado coletivo, mais pela sua preservação e valorização, são os historiadores que nós permite ver a importância dos acontecimentos, sempre levando em consideração a história local, a micro e macro história, desmitificando a história oral e dando o seu verdadeiro valor na formação da história da humanidade através da historiografia.
Assim, podemos perceber que somos formadores de História, pois a fazemos todo dia.

A INTENTONA COMUNISTA EM MACAÍBA

Dentre os vários episódios que marcaram a história de Macaíba, temos a intentona comunista que era um movimento revolucionário que governou o Estado por três dias, com o objetivo de retirar o presidente Getúlio Vargas do poder, para esse fim foi criado ANL ( Aliança Nacional Liberal) um movimento de esquerda que pregava a revolução socialista. Á medida que o movimento de esquerda crescia, o presidente procurou extinguir-lá.

Sendo a Revolução de 30 um reflexo do que estava acontecendo nos demais Estados brasileiros. Então o Governador do Estado do RN Juvenal Lamartine, com o intuído de defender a cidade posiciona 90 homens nos Guarapes a dez quilômetros da cidade de Natal por ser um local estratégico, a tropa era comandado pelo Tenente Joaquim Teixeira de Moura.

"Obedecendo ás ordens de Juarez Távora, o 29° BC, que estava estacionado em Santa Luzia (PB), partiu em direção a Natal, com a missão de depor o governador do Estado. Penetrou no território potiguar através do Seridó, passando por Parelhas, Acari, Santa Cruz... A única via de comunicação rápida, existente naquela época, era o telegrafo. Nas cidades do Seridó, segundo Sandoval Waderley todas as estações telegráficas estavam sem funcionar, " em virtude de haver sido cortados todos os fios"(1954:54). Em Santa Cruz, p 29° BC foi recebido pelo Coronel Ezequiel Mergelino, "cuja residência se transformara em Q.G das forças revolucionárias"(idem-1954:49)
Sem comunicação o 29°BC avançaram no escuro. Por isso, pela madruga, os oficiais prederam um motorista que viajava de Natal para Jardim do Seridó visando obter notícias. Conta Sandoval que " o Chauffer começou, então, a desfiar um rosário de coisas assombrosas: - que calculava em oitocentos ou mil o número de soldados que defendiam a capital: que o capitão Moura estava com duzentos e cinquenta homens entrincheirados nos morros de Guarapes; que a ponte estava toda cheia de dinamite; que de Recife chegara um batalhão do Exército comandado pelo Major Negreiros. Por isso, achava dificil a entrada do 29°... em Natal"(DIÁRIO DE NATAL, 1996-1997)

Mais, todo o esforço para tentar parar a Revolução foi fracassada provocando a tomada de Natal, expandindo-se os revolucionários para o interior do Estado.

Segundo Homero Costa foi formado três colunas composta por civis e militares, dos quais seguiram caminhos distintos em direção aos interiores, porém é a segunda coluna comandada pelo Sargento do Vigésimo primeiro BC, Oscar Wandenley que foi o responsável pela ocupação de Macaíba, chegando á cidade, os comunistas destituíram o prefeito, dominaram a delegacia e estabeleceu um novo representante para administrar a cidade.

 Valério Mesquita conta que tais fatos fizeram a cidade ficar deserta, as pessoas fugiram para os sítios e arredores. O próprio delegado Barbosa recomendou aos habitantes que se refugiassem fora dos limites urbanos da cidade... O próprio prefeito Alfredo Mesquita abrigou-se no sobrado de Francisco Pinheiro a espera da extinção do movimento.

Após a repressão que Getúlio fez ao movimento, Macaíba volta á normalidade em 48 horas.

terça-feira, 3 de março de 2015

A NOVA AMSTERDAM EM JUNDIAÍ MACAÍBA/RN

           
Foto: Ranier Nascimento / ponte que os holandeses construíram.

             Quando os holandeses estiveram na capitania do Rio Grande fizeram um levantamento topográfico de toda a região, e averiguaram  que NATAL era imprópria para ser a Capital holandesa da Capitania.Segundo registro de Nassau em breve discurso, de Joan Nieuhot em memorável viagem marítima e terrestre ao Brasil, de Adriano Dussen. A capital dos batavos denominada de nova Amsterdam ficaria onde hoje é a Escola Agrícola de Jundiaí, do qual funcionou a câmara do escabino, que assemelharia a uma câmara legislativa e a casa pública que tinha por abjetivos realizar audiência.

               Olavo de Medeiros Filho, em seu livros os holandeses na Capitania do Rio Grande, escreve que o chamado relatório DUSSEN. de 10 de dezembro de 1639:
 "refere-se novamente ao assunto da criação de uma nova cidade: "já teve de ser uma cidadezinha chamada cidade de natal situada a uma légua e meia do Castelo Keulen, rio acima, mas está totalmente arruinada, pelo que foi consentido aos escanbinos e moradores levantam uma nova cidade em potigi, pois é lugar fértil e melhor situada para os seus habitantes. Deverão de inicio um poço da câmara para ai terem o seu tribunal de justiça"

            NIEUHOF, escrevendo sobre fato ocorrido entre 1646 e 1649, assinala que "acima do rio, há uma  cidade pequena importância. denominada Amsterdam. Seus habitantes vivem de pesca, da produção de farinha e do plantio de fumo".

          No Rio Grande nunca houve cidade ou aglomeração de habitantes que morassem juntos. Apena começaram, pouco anos, a construir casebre a quadro légua de distância do castelo de Ceulen, perto de certa igreja, lugar que nós chamamos de nova Amsterdam, para a qual os portugueses vinha do interior para missa, mas, que ainda não tem adiamento". Tal relatório é datado de 1646.

        A cartografia contemporânea do período holandês, também faz referencial á existência de CIDADE NOVA, OU AMSTERDAM. O mapa de Andréa Antonio ORAZI focaliza uma localidade, no vértice formada por um rio ( o jundiaí ) e um seu afluente. No mapa de CORNELIS BASTIAANZ GOLIJATH ( 1638 ), apresentado no Atlas de vingbooons ( c. 1665 ), figura o NIEU STADT, sob o símbolo convencionado para a cidade, situando á margem direita do Jundiaí. De todos esse mapas, o mais detalhado é o de GEORGE MARCGRAVE, elaborado em 1643.

       "No mesmo vê-se a referência á CIDADE NOVA, edificada entre os cursos ao riachos Cotingiba e itânguaçutioba, ambos afluente, pela margem direita, do Nhudiaí ( Jundiaí ). Atualmente o Contigiba corresponde ao riacho de Coité. O rio denominado Margrave de itâguaçutioba, hoje é considerado como sendo o próprio Jundiaí, que banha os terrenos da Escola Agrícola de Jundiaí, proveniente no município norte- rio- grandense de Bom Jesus."
      O Nhundiaí referido por Macgrave, corresponde ao atual riacho do sangue, que corre ao sudeste da cidade de Macaíba. ( Olavo Medeiro)

         Ainda de acordo com  Olavo de MEDEIRO Filho, existe noticias de ruína misteriosa, localizada próximos a Escola Agrícola de Jundiaí, á margem direita da RN- 160, que acredita-se, ser da cidade construída pelos holandeses, NOVA Amsterdam.                                    

domingo, 1 de março de 2015

HENRIQUE CASTRICIANO DE SOUZA

Imagem:Wikipédia

Henrique nasceu em Macaíba no dia 15 de março de 1874, numa casa localizada na antiga rua do porto, ( seu nome foi dado em homenagem ao bispo de Milão São Henrique de Dácia). Depois mudou-se para a casa na rua do comércio, onde atualmente fica a Escola Estadual Auta de Souza. O seu pai era comerciante e politico da cidade, este mantinha um entreposto comercial além de uma relação amistosa com os Albuquerque Maranhão, estreitando os laços no período da consolidação da oligarquia. É apesar de não serem brancos, Henrique, Auta de Souza, Eloy de Souz, isto nunca lhe foi empecilho, as portas foram se abrindo ao reconhecimento da inteligência deles.
Ainda Pequeno, era constantemente ameaçado pela tuberculose tento que se mudar constantemente a procura por melhores climas, foi para Recife, onde contrai pneumonia, vai para Angicos, e recupera a saúde, a fim de consolidar a saúde prossegue para Serra do Martins, depois à Mossoró e Tibau, onde se apaixona por uma jovem praieira.
Aos 17 anos, começou a colaborar no jornal República a pedido de Pedro Velho.
Quando Henrique residiu em Martins, deparou-se com uma gruta que se assemelhava a uma residência que, por entre as pedras brotavam pingos de água, tal fato chamou a atenção do poeta, que inspirado criou o poema a lágrima  que também é conhecido como solidão.
SOLIDÃO
A lágrima sem fim, a lágrima pesada
Que eternamente cai do alto desta gruta, 
Representa alguma alma estranha e desolada
Que mora a soluçar dentro da rocha da rocha brutal
Est'alma, quem será? Não sei!Mistério fundo...
Entretanto, eu pressinto alguém que se debruça,
E baixinho, me diz, num gemido profundo:
Existe um coração na pedra que soluça!
(Henrique Castriciano)
A saúde precária o obrigava a viajar também ao exterior, como ocorreu quando foi à Europa, com o objetivo de se consultar da tireoide e lá obteve várias informações sobre a educação feminina defendida por Nísia Floresta, a quem passaria admirar. em 23 de julho de 1911 funda a liga de ensino, a escola doméstica foi fundada no dia 1 de setembro de 1914, servindo como padrão para educação feminina do Estado. 
A escola doméstica representou uma revolução para os moldes da vida feminina. Castriciano foi o primeiro presidente da Academia Norte- Riograndense de Letras, a cadeira n° 2 da academia de letras tem o nome de Nísia, Homenagem de Henrique Castriciano, a quem tanto admirava.
Hoje, a escola doméstica representa um importante componente na educação feminina, sua localização na Hermes da Fonseca se deu devido á ascensão de Café Filho na administração do país na década de 50. O prédio do Colégio na Ribeira ficava ao lado do Colégio Salesiano, que foi negociado com IPAC, antiga denominação do INAMS.
Somente em 1987 é criado o complexo educacional Henrique Castriciano, anexo á escola doméstica. Entre os anos de 1919 e 1923, Henrique foi professor da Escola doméstica, lecionando a disciplina educação social.
Henrique fez o curso jurídico no Ceará, e o concluiu no Rio de Janeiro tornando-se bacharel em ciências jurídica e social aos 30 anos, por causa dos problemas de saúde. Aos 24 anos tinha apenas um pulmão sadio o que deixava vulnerável as doenças, seu estado precário o fez escrever no álbum de recordações de D. Madalena Antunes Pereira, que foi memorizado por Waldemar de Sá, e publicado por Edgar Barbosa.
Henrique Castriciano, foi deputado estadual, jornalista, advogado, poeta, ensaísta, critico literário, vice- governador do Estado do RN por dez anos, procurador geral, secretário do governo de Alberto Maranhão e de Tavares de Lyra, além de ter sido secretário em seis de agosto nas gestões de Joaquim Ferreira Chaves (1914-1920) e Antônio José de Melo ( 1920-1924).
Em 1990, criou a lei n° 145 que garantia investimento, na publicação literária ou cientifica, foi homenageado com o título de príncipe dos poetas norte rio-grandense. A pós abandonar a politica fixa moradia no Rio de Janeiro, onde se dedicava ao jornalismo e advocacia. Só volta a Natal em 1933, para exercer o cargo de diretor da secretária do tribunal regional eleitoral, nomeado por Luís Tavares de Lyra.
Em 1945, o poeta sofre um derrame cerebral, e não se recupera mais. Falece no dia 26 de julho de 1947, as 7 h e 40 min da manhã. sem realizar o seu último desejo, olhar pela ultima vez o rio Potengi.
Os versos de Henrique foram traduzidos para o francês, Sueco e Polonês.

PSEUDÔNIMOS QUE HENRIQUE USAVA:
H.C
José Capitulino
Mario do Vale
Alex
João Brás
Rosa Romariz
Y.
Erasmus Van Der Does
Frederico
De
Menezes
H. castriciano.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A DETERMINAÇÃO DE AUGUSTO SEVERO



     De acordo com o Prefácio do livro Nunca desista dos seus sonhos, do autor Augusto Cury, ele cita
     "Os sonhos são como vento, você os sente, mas não sabe de onde eles vieram e nem para onde vão. Eles inspiram o poeta, animam o escritor, arrebatam o estudante, abrem a inteligencia do cientista, dão ousadia ao líder. Eles nascem como flores nos terrenos da inteligência e crescem nos vales secretos da mente humana, um lugar que poucos exploram e compreendem."
      Essa é a perfeita descrição de Augusto Severo de Albuquerque Maranhão, que ousou sonhar e enfrentar as dificuldades da realização do seu sonho.

 Filho do Major Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão e de Dona Feliciana Maria da Silva e Albuquerque, nasceu em Macaíba em 11 de janeiro de 1864.
       Após concluir seus estudos preparatórios, matriculou-se na Escola Politécnica, não chegou a concluir o Curso de Engenharia, já iniciara com brilhantismo o curso de Humanidades e por motivos de saúde interrompeu os estudos. Restabelecido, dedica- se ao Magistério no colégio que, em 1882, seu irmão Pedro Velho fundou em Natal.
       Fez parte na Campanha abolicionista e na propaganda republicana, quando começou a revelar as suas aptidões de orador e jornalista.
       Em 1892, foi eleito deputado do congresso local, no ano seguinte ocupou uma cadeira na câmara dos deputados.
Imagem:www.ihp.org.br

       Mais mesmo, com todos esses talentos Augusto Severo ainda sonhava com a construção do PAX, e com a resolução do problema das dirigibilidade dos balões.Então ele resolve ir para a França, para dar forma ao seu sonho. E mesmo com todas as dificuldades apresentada, Severo construiu o Dirigível PAX, e em 12 de maio de 1902, o seu invento sobe aos céus de Paris, mais toda essa glória é apenas momentânea, pois o Dirigível explodiu, matando o mecânico Saches e Augusto Severo.
Imagem: ninja-brasil.blogspot.com
         O sonho de Severo não terminou no dia da sua morte, mais pelo contrario ele inspirou e inspira muitos sonhos ainda nos corações de todos aqueles que buscam a concretização os seus objetivos. Severo compreendeu que muitas vezes os fracassos no meio do caminho, significa abrir o caminho para o crescimento da humanidade.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

MACAÍBA DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A segunda Guerra Mundial desempenhou um papel primordial para o avanço sistemático e tecnológico de Macaíba. Com o melhoramento das estradas de ligação da cidade de Natal as regiões do interior, uma vez que a comunicação entre essas dependiam de uma estrada de barro, as margens do Rio Potengi, em situação precária. Então melhora-lá era o caminho, para facilitar a comunicação entre as cidades.
Não foram apenas as estradas que foram melhoradas como consequência da vinda dos americanos para Natal, houve o crescimento e a evolução dos meios de telecomunicação, dos hábitos, dos costumes. Portanto era necessário atender a população que estava crescendo bem como melhorar o estilo de vida. Natal estava deixando de ser uma pequena cidade, com costumes provincianos para se tornar referencia as demais da região.
"A estrada Natal- Macaíba sempre foi de vital importância para a comunicação entre a capital e o interior. Antes de sua abertura, Natal era abastecida pelos barcos que navegavam o rio Potengi ou então, por cima dos morros. Para facilitar este intercâmbio entre as duas cidades, o governador Adolfo da Silva Gordo (1889-1890) mandou abrir uma estrada pela margem esquerda do rio Potengi, acompanhando a sinuosidade das dunas. o Sr. Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão, pai de do Dr. Pedro Velho, foi contratado para realizar aquela obra, na qual trabalharam cerca de três mil flagelados da seca. Posteriormente, em 1942, o Interventor Federal, dr. Rafael Fernandes, iniciou o calçamento a paralelepípedo desta estrada. Inicialmente, o trabalho ficou a cargo de Inspetoria a Obra contra as secas, hoje o DNOCS. Mas, o referido calçamento ficou pronto somente no começo dos anos 50, no governo de Dr. Sylvio Pedroza. ( Souza, Itamar de (coord))-1983:33-35). A morosidade desta obra virou objeto de gozação nacional. Os humorista cariocas- Ratinho e Jararaca- diziam no rádio o seguinte:"vocês sabem qual é a maior estrada do mundo? é a de Natal- Macaíba. Tem dez quilômetros de extensão, mas já faz um século que estão construindo" ".(Diário de Natal, fascículo seis, pag.156)
Para facilitar a comunicação é instalado no Colégio Agrícola de Jundiaí, Na época da Colônia Penal Dr. João Chaves o primeiro telefone do Município, já que na guerra a comunicação tem a mesma importância que, estratégias de combate.

AUTA DE SOUZA


Auta de Souza
Auta de Souza entra para a história da literatura potiguar por ser a melhor  definição entre o mundo privado e público que a mulher em sua época estava exposta.
A educação ministrada á mulher era precária e a vida doméstica as impediam de participar do ambiente social, era dentro de suas casas que a vida se passava bem diante de seus olhos. é por isso que devido ao ensino que recebera Auta de Souza escreveu a melhor poesia, que se podia fazer em seu tempo.
 Segundo Eloy de Souza:
As mulheres nessa época entregavam-se desde cedo aos trabalhos domésticos e, á parte os serviços subalternos, confiados às escravas, mães e filhas dividiam-se entre a cozinha, o cuidado das crianças, o fuso, a almofadas, o tear, a costura, a criação de aves caseiras e engorda de animais destinados a ser imolados nas quatro festa de ano. E quando alguma moça atingia a idade propícia ao casamento era submetida pelo pai a um exame meticuloso sobre a sua aptidão para tomar conta de casa; uma das provas consistia em se lhe entregar um pouco de sabão, no qual devia cortar ouro e fio, a libra convencional".
Auta de Souza nasceu em Macaíba no dia 12 de setembro de 1876, filha de Eloy Castriciano de Souza e de Henriqueta Leopoldina, tem como irmãos; Eloy de Souza nascido em 1873, Henrique Castriciano em 1874, Irineu Leão Rodrigues de Souza em 1875, e João Câncio Rodrigues de Souza em 1877.
Em 1879 sua mães aos 27 anos, morre de tuberculose, deste mesmo mal o seu pai em 1881 aos 39 anos, falece. Seu Irmão morre aos 12 anos, em uma explosão ocasionado pelo candeeiro, fazendo tais percas, parte do expressionismo triste de seus poemas.
" Mas... a gaiola vazia, 
Que eu conservo noite e dia,
Não sabem? é o coração...
é dentro dele que chora, 
A alma de meu irmão!"
(Souza, Auta de - Horto. Pg.36)
Com a morte de seus pais, Auta de Souza e seus irmãos vão para Recife, morar com avó  Silviana de Paula Rodrigues, ( Dindinha, avó materna).
No Recife em 1888, Auta vai estudar no colégio São Vicente de Paula, sob a orientação de professoras francesas, ( as quais faz referencia em seu livro), lá conheceu vários autores franceses, brasileiros e portugueses e dentre os autores de sua preferência estavam: Gonçalves Dias, Marco Aurélio, Vitor Hugo, Bossuet, Fenelou, Lamartine, Gonçalves Crespo, entre outros.
Aos 14 anos, vitimada pela tuberculose, abandona os estudos e volta para o Rio Grande do Norte, iniciando a caminhada pelos interiores do Agreste e Sertão em busca de cura, já que se acreditava que mudança de ares ajudava o tuberculoso a se curar, se dava a associação de que tal mal era desenvolvida ou que piorava em regiões úmidas.
Auta de Souza colaborou em diversos jornais e revistas e como seu irmão Henrique, adotou dois pseudônimos: Hilário das Neves e Ida Salúcio, dos quais assinava suas participações.
Por volta de 1895, Auta de Souza conheceu João Leopoldo da Silva Loureiro, promotor público de Macaíba, com quem namora um ano e com quem foi obrigada a se separar pelos irmãos por motivo de doença. Após um ano da separação o seu amado falece de tuberculose. Esse fato juntamente com a tristeza da perca dos seus pais e do irmão e da tuberculose que sofrerá. A fez terminar o seu livro, intitulado a principio de Dhálias, a posterior é publicado por nome de Horto.
Em 1900, o seu livro Horto é publicado, tornando um marco da poesia potiguar, o livro recebeu vários elogios da critica do país o sucesso fora tão grande que nos dois primeiros meses as primeiras edições haviam esgotado. Tudo por causa do estilo simples de expressar seus sentimentos, em versos.
Um ano após a consagração de seu livro. Auta de Souza falece em Natal no dia 7 de fevereiro de 1901. Sendo sepultada no cemitério do Alecrim. Em 1906 seus restos mortais são levados para a Igreja Matriz de Macaíba, e colocado no jazido da família.
Em 1951, foi feito uma lápide onde estavam os seus restos mortais com os versos extraídos de seu poema ao pé do túmulo:
"Longe da mágoa, enfim no céu repousa
Quem sofreu muito e quem amou demais".
A certeza da morte a fez buscar consolo na religião, como uma maneira de suportar a dor de partir tão jovem. E assim escreve o poema Minha alma e o verso onde descreve tal situação.
MINH’ALMA E O VERSO



Não me olhes mais assim... Eu fico triste
Quando a fitar-me o teu olhar persiste
Choroso e suplicante...
Já não possuo a crença que conforta.
Vai bater, meu amigo, a uma outra porta.
Em terra mais distante.

Cuidavas que era amor o que eu sentia
Quando meus olhos, loucos de alegria,
Sem nuvem de desgosto,
Cheios de luz e cheios de esperança,
N’uma carícia ingenuamente mansa,
Pousavam no teu rosto?

Cuidavas que era amor? Ah! se assim fosse!
Se eu conhecesse esta palavra doce,
Este queixume amado!
Talvez minh’alma mesmo a ti voasse
E n’um berço de flor ela embalasse
Um riso abençoado.

Mas, não, escuta bem: eu não te amava.
Minha alma era, como agora, escrava...
Meu sonho é tão diverso!
Tenho alguém a quem amo mais que a vida,
Deus abençoa esta paixão querida:
Eu sou noiva do Verso.

E foi assim. Num dia muito frio.
Achei meu seio de ilusões vazio
E o coração chorando...
Era o meu ideal que se ia embora,
E eu soluçava, enquanto alguém lá fora
Baixinho ia cantando:

“Eu sou o orvalho sagrado
Que dá vida e alento às flores;
Eu sou o bálsamo amado
Que sara todas as dores.

Eu sou o pequeno cofre
Que guarda os risos da Aurora;
Perto de mim ninguém sofre,
Perto de mim ninguém chora.

Todos os dias bem cedo
Eu saio a procurar lírios,
Para enfeitar em segredo
A negra cruz dos martírios.

Vem para mim, alma triste
Que soluças de agonia;
No meu seio o Amor existe,
Eu sou filho da Poesia.”

Meu coração despiu toda a amargura,
Embalado na mística doçura
Da voz que ressoava...
Presa do Amor na delirante calma,
Eu fui abrir as portas de minh’alma
Ao verso que passava...

Desde esse dia, nunca mais deixei-o;
Ele vive cantando no meu seio,
N’uma algazarra louca!
Que seria de mim se ele fugisse,
Que seria de mim se não ouvisse
A voz de sua boca!

Não posso dar-te amor, bem vês. Meus sonhos
São da Poesia os ideais risonhos,
Em lago de ouro imersos...
Não sabias dourar os meus abrolhos,
E eu procurava apenas nos teus olhos
Assunto para versos.
© AUTA DE SOUZ
In Horto, 1900